Em dia com a fome

           [Olha que não há mais metafísica no mundo
           senão chocolates.
]


sábado

Que palhaçada

Marcelo Rubens Paiva critica os VIPs, aqueles seres estranhos que cumprem tão bem o papel de bobos-da-corte nesta côrte sem nobreza, responsáveis pela diversão barata do povo e pelos lucros da revista Caras. O artigo acaba com o tal do cumprimento do palhaço que morreu estes dias. Mas o Marcelo foi outro que errou a música — ou eu que cresci cantando do meu jeito? Não inventem: a musiquinha é "Como vai, como vai, como vai? Muito bem, muito bem, bem, bem!". Mas, mesmo assim, a tirada foi boa:

" 'Como vai, como vai, como vai? Tudo bem, tudo bem, bem, bem?', perguntava Arrelia, da época em que os palhaços se maquiavam."

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Pulando de blogue em blogue (eu não devia estar fazendo isso, minha santa do TCC!), achei um artigo interessante. "Interessante", veja bem, é um conceito relativo. Mas qualquer pessoa que guarda na cabeça conceitos como bom-senso, justiça e outras coisas bonitas assim deveria se interessar por essa questão. ;-)

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Ave, Voltaren cheio de graça,
bendito sois tu entre os remédios.

Ainda mais em forma de injeção.

Mesmo que, para te alcançar, seja preciso passar pelas filas do HU.

(Agora eu tou quase boa.)

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O número de visitantes ao meu blogue que navegam pelo Firefox cresce espantosamente. Quem de vocês aderiu? Ou é sempre a mesma pessoa? :-D

quinta-feira

Quinta-feira, feriado, dia 26, 14h50.
Nestas horas é que eu odeio minhas escolhas estupidamente heróicas.
Nestas horas eu sei, simplesmente sei, que a amizade de qualquer tipo é uma balela narcisista, simples e confortável.
Mais narcisista e confortável do que tudo...
Nestas horas eu ainda acredito na transformação social, mas as relações pessoais mostram o quanto são pura besteira.

(Do que eu tinha pra dizer, eu engoli o mais que pude.)

quarta-feira

Sapiencial

Depois de dois dias em que tudo deu errado. Saindo do que era pra ser aula de informática mas à qual nenhum aluno apareceu. Foi a primeira vez que nenhum aluno apareceu. Com gripe, e na chuva, e cansada, e carente.

Descendo a escada escura do IME pra rua da FEA, e imaginando: "Podia passar por aqui alguém que eu conheço, pra me dar uma caroninha maneira até em casa". O pensamento involuntário que veio em seguida: "Ia ser uma daquelas situações de dizer, 'Depois dessa ainda tem gente que duvida que Deus existe...". Aí, tentando voltar pra realidade: "Mas podia pelo menos passar um Circular".

Chegando à calçada. O Circular passa à esquerda, vazio, rápido demais, quando eu estou a 50 metros do ponto.

Moral da história: Deus não só existe, como algumas vezes é engraçadinho demais pro meu gosto.

terça-feira

Do porão

Eu não tenho porão em casa, daqueles em que ficam guardadas as coisas que não servem mais ou que só servem para ressuscitar lembranças quando se sobe, por acaso, ao porão. A verdade é que a minha casa inteira é um grande porão de dois andares. É só remexer um pouquinho mais fundo num armário que se encontra um monte de coisas velhas, cheias de pó e de recordações.

Ontem minha mãe subiu da garagem com os cadernos da 2ª série do Serginho. Ele era tão criativo, fazia histórias fofinhas e interessantes, criava frases originais, mas a professora fazia comentários antipáticos do tipo "está bonito, mas não está de acordo com a proposta", podando a alegria do bichinho no melhor estilo tia-velha. Quem disse que as pedagogas de hoje ainda não precisam de um choque de Paulo Freire. Depois, quem sofre são as crianças.

E agorinha, procurando o telefone de uma fonte antiga pra entrevistar pro TCC, desenterrei o caderno do segundo ano da faculdade. Não, não é tão distante assim se eu fizer as contas. Mas, sem as contar para atrapalhar, percebo que o meu segundo ano fica num outro mundo, numa outra cidade, de uma outra pessoa. Que desabafava no caderno a qualquer pretexto. Como na aula de Jornalismo Opinativo em que ficou com raiva do que lhe pareceu simplismo do professor e registrou de caneta roxa: "Cada palavra que se escreve — inclusive e talvez principalmente nos textos jornalísticos, por causa da aura de verdade e relevância indiscutíveis que esses textos ganham — está tão carregada de sentidos, interpretações e até sugestões ou incitações (tanto quanto um revólver carregado de pólvora — imagem besta) que o mínimo de responsabilidade profissional seria proporcionar ao jornalista condições (todas possíveis, de competência da redação — ambiente, recursos — e do próprio jornalista — conhecimento) para que essa atividade cheia de sugestionamentos seja desempenhada, pelo menos, com o máximo de auto-consciência e auto-crítica; auto-análise. Seria um primeiro passo contra o cinismo de todo jornalista minimamente esclarecido." Ou como na aula de Português em que a professora pediu uma narração com fluxo de consciência, e ela mandou ver: "Anseio por pensar fundo, um anseio apressado por entender o mundo e as teorias da física quântica e a concepção nietzchiana do homem e a história da escola crítica de frankfurt e a relatividade geral e a indústria cultural e o funcionamento da bomba atômica e as razões e as implicações da segunda guerra do golfo e mais coisas assim, e ainda as aulas dos meus professores; um anseio antigo de compreender — "sim, eu compreendo..." — as dores da humanidade, as vicissitudes da vida, as dificuldades de emprego, o amor dos corações e a tristeza dos amigos quando a têm;", e eu ia continuar mas não deu tempo ou mudei de idéia ou enchi o saco.

No fundo, eu não mudei nada.

sexta-feira

Beachboys e Zé da Luz
Ou Mas que diabos pensam as musas

Wouldn't it be nice if we were older
Then we wouldn't have to wait so long
And wouldn't it be nice to live together
In the kind of world where we belong

You know its gonna make it that much better
When we can say goodnight and stay together

Wouldn't it be nice if we could wake up
In the morning when the day is new
And after having spent the day together
Hold each other close the whole night through

Happy times together we've been spending
I wish that every kiss was neverending
Wouldn't it be nice

Maybe if we think and wish and hope and pray it might come true
Baby then there wouldn't be a single thing we couldn't do
We could be married
And then we'd be happy

Wouldn't it be nice

You know it seems the more we talk about it
It only makes it worse to live without it
But lets talk about it
Wouldn't it be nice


.:.

Agora olha esta aqui:


Ai! Se sêsse!...
(Zé da Luz)

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dois se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e tu cum eu insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o bucho do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

(Bastaram dois poetas e a mesma musa para dizê-lo.)

quarta-feira

Cá entre nós

Paulo Freire dá uma dor desgraçada nas costas.

terça-feira

Através do espelho

Bem no meio do ponto cego do meu campo de visão,
está ali escondido
(meu próprio rosto)
está ali escondido,
bem no meio do ponto cego do meu campo de visão.


(E eu poderia divagar ou fantasiar ou tentar explicar mais,
mas é que eu estou cansada.)

quinta-feira

De hoje, na faculdade

Narre uma experiência significativa negativa que tenha ocorrido com você, tentando ousar na forma como tal experiência pode ser relatada.

Acho que eu recalquei todas elas. Nenhuma me vem à cabeça como realmente significativa. Ou então as superei todas. Improvável, claro. Assim como a primeira hipótese. Não tive, nestes últimos vinte minutos, a sorte da associação imediata de idéias que poderia ter levado a uma história triste e marcante que ficasse bem numa narrativa com forma ousada. Nada fashionable, enfim. Escrever um primeiro parágrafo de nonsense é, portanto, pura estratégia de desespero. Um plano B ruim, que, por sua vez, não tem substitutos.

Então vamos em frente. Devo ter tido metade das experiências que outras pessoas estão acabando de narrar neste momento. Ao meu lado, o Cadu conta que conheceu o Sartre. Eu o li mais que do que o Cadu — apesar de compreendê-lo menos. Eu tentei ser radicalmente existencialista — conforme eu entendia isso — enquanto li os seus caminhos da liberdade e mais dois ou três livros de ficção. Eu desisti no único livro de filosofia pura (“filosofia pura”?...) que tentei — o mais simples.

Tem gente contando morte de avó, desilusão amorosa, briga com amigo, atropelamento de cachorro. Tem gente contando coisinhas singelas — daquelas de dizer "mas a boa mesmo era a grandona perfeita, que havia de dar mais boa sorte pra aquele malvado de operário que viera, cachorro! dizer que estava com má sorte! Agora eu tinha que dar pra ele a minha grande, a minha sublime estrelona-do-mar!...". E eu não conto nada. Talvez venha a fazer outra narrativa, vinda de alguma daquelas associações de idéias que não me socorreram até agora, e a entregue para receber nota no divã do Welington. Mas a minha real, agora, é não contar nada.

Vale isso como tristeza?
Porque o agora já basta como experiência negativa.
E esta é daquelas redações que você conclui que não pode valorar: “tua melancolia vale 7,5”. Até porque, como intenção de narrativa ou proposta pedagógica, deve valer menos que isso.


(Não, eu não a entreguei.)

terça-feira

(Fiz praticamente um trabalho de hacker. Mas, no fundo, foi uma homenagem.)

segunda-feira

Depois do melhor Saramago

Escândalo, cegueira e visão, Cadê o Cadu para eu abraçar e alguma coisa fazer sentido, Está longe, está dormindo, Então eu abraço o meu coração.

domingo

Relatório número 1

Fome. Pacote de bolacha no colo.
Sono, entranhado há dias nos músculos; tanto, tanto, que faz parte do meu estado permanente de consciência.
Preguiça, e trabalho pra terminar.
Bom humor, ainda um pouco, enquanto eu não fico ranzinza de vez.
Frio. Mas essa é a parte legal.

* Ontem foi um dia bonito e estranho. Saca? *

(O Firefox hoje tem 50 milhões de downloads. Uh.)
(Ganhou na eleição da Cásper uma chapa do bem — apesar do nome meio bobo. Esperanças, esperanças.)
(Lu, quero logo o seu libelo contra meu texto difamatório e estereotipado e preconceituoso. Morte aos intolerantes, inclusive se eu for um deles.)
(A bolacha está quase no fim.)