Depois,
deu vontade de cantar.
E cantamos, os dois juntos,
rindo com Raul Seixas que dizia "Tente outra vez..."
— uma euforia serena,
singing in the rain, enquanto a água caía.
(A água purificava
e eu contei que ela falava de transparência e de vida.)
Para ser perfeito,
não houve nada além de nós mesmos.
Em volta estava o tempo,
o nosso tempo,
e a ternura.
(Lembrei de Djavan cantando "Aqui ou noutro lugar / que pode ser feio ou bonito / se nós estivermos juntos / haverá um céu azul.")
Que importou a dor e o cansaço,
o suor e as lágrimas
— que só deram mais gosto ao abraço?
Quando eu olho, vejo a cumplicidade construída a cada dia
e sorrio diante do choro e da dor
(como eu sabia que faria).
Sorrio, principalmente, diante do abraço,
meu grande tesouro.
Depois deu vontade de viver, de crescer,
e o abraço foi eterno,
o repouso foi sereno,
e o futuro foi tranqüilo.
"Minha paz vos dou."
A grande dádiva
é a possibilidade de construir,
perdoar,
crescer,
lembrar,
de decidir por se apaixonar.
A grande dádiva é dividir
a entranha
do cotidiano.