Em dia com a fome

           [Olha que não há mais metafísica no mundo
           senão chocolates.
]


segunda-feira

E Sting na caixa de som.
"Fields of Gold".

E papai vai fazer quimio.
Quem souber rezar, que reze.

Fuvest ontem. Ai.
67 pontos. Ui.

Mas o Serginho enfiou 88 com o Enem, e o Cadu fez 68. Os dois tão no páreo, e eu tou toda orgulhosinha.

Na sexta-feira, fez dois anos.
Carinho, cuidado, companheirismo, crescimento, e o aprendizado do que é um amor real.
Gratidão a Deus. E a você.

Quatro coisas que eu queria publicar, número 3

Publicado no Estadão de 22 de novembro.
Da coluna de Ricardo Kobashi, "Cidadão digital", à página 16 do novo caderno Link.
Resumi o texto.

Nem só de notícias e sexo vive a rede

Terça-feira passada, o ministério da Educação (www.mec.gov.br) lançou a Domínio Público (www.dominio-publico.gov.br).

O site abriga uma biblioteca virtual com um acervo de mais de mil obras literárias, artísticas e científicas, da cultura nacional e universal, que já caíram em domínio público ou que tiveram sua publicação autorizada pelos detentores dos direitos autorais.

Segundo um funcionário do ministério, a meta é ter 100 mil obras disponíveis gratiutamente na internet, até o final de 2005. O número é ambicioso, mesmo levando em conta que parte do acervo é constituída através de parcerias com outras bibliotecas virtuais, e que um edital já foi lançado para digitalizar e disponibilizar conteúdos para o site.

A idéia de uma biblioteca virtual é boa, muito boa, mas não é nova. Só para citar um exempo nacional, a BibVirt (www.bibvirt.futuro.usp.br), da Escola do Futuro da USP (www.futuro.usp.br, parceira do projeto, faz isso desde 1997.

Mas digito www.dominio-publico.gov.br no meu navegador e descubro que o site está fora do ar. Ligo para Brasília e converso com Espartaco Madureira, assessor de TI [Tecnologia da Informação] do ministério da Educação, que me explica: 30 mil acessos em 1 hora, ou seja, deu certo demais e o servidor não agüentou. Hummm...

Engana-se quem vê no episódio um problema técnico. Não foi um servidor que foi subdimensionado e sim o internauta brasileiro e sua sede de informação e cultura. Somos 35 milhões e conectados e crescemos mais rapidamente que os conteúdos em língua portuguesa.

A internet no Brasil é farta em notícias, blogs e sexo, mas a produção intelectual ainda prefere o papel. As universidades brasileiras participam da rede de forma tímida e exceções como a BibVirt da USP confirmam a regra.

Acabamos de descobrir que muitos de nossos internautas querem, entre uma notícia e outra, ler Machado de Assis. É uma boa hora para as universidades, artistas e intelectuais refletirem sobre o que têm feito com a rede e se estão contribuindo a contento para a construção da sociedade da informação.


Em tempo: minutos antes de fechar a coluna e três dias após o seu lançamento, a biblioteca virtual Domínio Público entrou no ar. Ainda está meio instável, mas já deu pra ver que é boa. e divirta-se.

ricardo@kobashi.com.br
Comente esta coluna no site: http://link.estadao.com.br.


* Você, blogueiro, leitor de blogue e internauta, está vendo que participa desse processo? Dá uma lida de novo nos parágrafos que eu coloquei em itálico.
* Www.dominio-publico.gov.br e www.bibvirt.futuro.usp.br já estão nos meus Favoritos.
* E o tema dos direitos autorais e do domínio público, evoluindo para a questão das patentes e da luta pelos softwares livres, esteve em pauta nos jornais da segunda-feira. Falaram disso um editorial da Folha, a coluna de Matthew Shirts no Estadão e outra reportagem no caderno Link, no verso da coluna do Kobashi. É pena que, na internet, todos esses textos sejam conteúdo restrito apenas para assinantes online.

quarta-feira

Microcrédito e alfabetização
Um casal perfeito

Cadu Elmadjian says :
hey, tender

Diana says :
hi, babe

Diana says :
nossa, amor, eu fiquei exaltada no orkut.

Diana says :
escrevi pra cacete

Cadu Elmadjian says :
pq ficou exaltada?

Diana says :
uma mulher besta disse que não se tinha que alfabetizar velhinhos, eles iam morrer logo, mesmo.

Diana says :
eu sou besta, né?

Diana says :
ah, mas não dava.

Cadu Elmadjian says :
qm falou isso? onde?

Diana says :
numa comunidade sobre alfabetização...

Cadu Elmadjian says :
ah, a pessoa se prestou a entrar no lugar soh pra encher o saco

Diana says :
não...

Diana says :
alguém copiou o comentário dela para a comunidade, perguntando o que as pessoas achavam

Diana says :
(afinal, tinha também alfabetizadores infantis, ne)

Cadu Elmadjian says :
ah, sim...

Diana says :
e a autora do comentário entrou depois, defendendo a opinião.

Diana says :
imagina, tem gente q pensa assim!!!

Diana says :
ah, não, isso foi numa comunidade de alfa de adultos mesmo!!!

Cadu Elmadjian says :
pois é, mas isso sempre faz a gente voltar praquelas questoes mais primarias,

Cadu Elmadjian says :
da lei cristã de não faça aos outros o q vc não gostaria q fizessem a vc

Cadu Elmadjian says :
sabe, q foi parodiada e plagiada indiscriminadamente por um monte de pensador com vergonha de admitir que tinha usado o cristianismo como referencia (tipo hobbes e kant, por exemplo)

Diana says :
tem nada de lei cristã, é inteligência, mesmo

Diana says :
é burro pensar que não se deve educar adultos, e sim crianças

Diana says :
porque é assim que se continua formando adultos analfabetos

Diana says :
porque assim vc perpetua uma mentalidade que não valoriza a educação

Diana says :
é óbvio

Cadu Elmadjian says :
é muito egoísta, vc achar objetivamente q as pessoas, por estar mais perto da morte, por uma coerencia lógica de expectativa de vida, devem ter menos oportunidades q vc, garotao

Diana says :
sim, esse é o primeiro argumento.

Diana says :
mas basta ser inteligente pra ver que dizer aquilo é dar um tiro no pé tremento

Diana says :
tremendo

Diana says :
alfabetizar adultos não é correr atras do prejuízo dos
velhinhos

Diana says :
é romper um ciclo vicioso

Diana says :
porque voce influencia o adulto, o filho e o neto dele

Diana says :
e começa a mudar alguma coisa na estrutura

Cadu Elmadjian says :
se vc pegar o proprio cristianismo, sob esse principio, vc vai ver q tudo pressupoe uma relação com o egóismo entrópico

Cadu Elmadjian says :
vc pega essa frase de Cristo, é meio como um statement reconhecendo a obviedade do egoísmo, sem dizer q somos egoístas pra nao ser politicamente incorreto, mas nas
entrelinhas o cristinianismo guarda essas surpresas

Cadu Elmadjian says :
é muito liberal e anarquico

Diana says :
se for só educar criança, é fazer o que o FHC fez, colocou todas na escola e pronto

Cadu Elmadjian says :
sim, mas vai chegar um momento em q o burocrata vai ser importante, entende isso?

Diana says :
mas, se a sociedade não sustentar esse avanço, ele se perde, é óbvio, e vamos continuar com 15 milhões de analfabetos absolutos e 75% de analfabetos funcionais

Diana says :
o burocrata só precisa ter essa visão, só isso.

Diana says :
aí ainda entre um imbecil lá na discussão e diz que "ah, admitam, só se educa velhinhos pra se livrar da consciência pesada"

Diana says :
vá à merda.

Cadu Elmadjian says :
vai ter um momento em q vai ser importante ter todas as crianças na escola. o problema é q vc nao pode limitar a qualidade em função da quantidade, mas parece que, nao sei pq, acham q esses dois fatores sao inversamente proporcinonais... é uma mera questao de investimento com planejamento... um resultado aparece
antes q outro, mas o resultado maior é global

Diana says :
não, claro! o momento pra se ter crianças na escola é agora!!! só estou dizendo que isso vai ser inútil se não houver uma mudança de mentalidade na sociedade

Diana says :
é óbvio, é uma coisa lógica!

Diana says :
é como você construir uma casa num pantano, porra, não vai adiantar nada!!!

Diana says :
tinha escrito um monte de coisas razoáveis

Diana says :
aí eu li o que esse neguinho falou, e fiquei muito exaltada, saí do razoável.

Diana says :
me controlei pra não mandar ele à puta que o pariu.

Diana says :
e eu nunca mandei ninguém à puta que o pariu na minha vida.

Cadu Elmadjian says :
vc deveria mandar

Cadu Elmadjian says :
às vezes eu penso q a gente precisa levar umas pancadas pra aprender

Cadu Elmadjian says :
nao qro parecer pavloviano, mas se ninguem falar q ele é um bundao, e ficar levando a serio os arguimentos dele, ele mesmo vai se levar a serio

Diana says :
não, eu sou boazinha.

Diana says :
vai passar

Cadu Elmadjian says :
assim, da pra vc enxergar as coisas de um jeito burocratico... burocracia é metodo, nao é solução. desde q vc crie condições pra q haja um ensino de qualidade burocraticamente, nao ha nada de errado

Cadu Elmadjian says :
o problema é vc achar q burocracia é solução para determinados problemas,

Cadu Elmadjian says :
aí é um tremendo equívoco

Diana says :
é ser burro. Francamente.

Cadu Elmadjian says :
vc vai limitar os problemas da educação a gerenciamentos...

Diana says :
viva o Dantas.

Cadu Elmadjian says :
uma coisa é clara, e todo mundo q ta metido na política e tem um certo interesse, ou bondade, para com o assunto, sabe q vc precisa de um puta investimento na formação dos professores

Cadu Elmadjian says :
se vc resolver a questao de um jeito burocratico, tudo bem

Cadu Elmadjian says :
agora se vc jogar 30 milhoes numa reitoria de usp de merda e achar q o problema ta solucionado...

Diana says :
é, achar que só a burocracia vai fazer a mágica

Diana says :
mesmo porque, na sociedade em que a gente está, com as nossas instituições, as soluções burocráticas ficam emperradas pelas própria burocracia, elas raramente
chegam ao alvo.

Diana says :
eu, pessoalmente, acredito mais na ação de entidades organizadas da sociedade civil.

Diana says :
(por isso faço parte de uma, aliás).

Cadu Elmadjian says :
nao, nao concordo com vc

Diana says :
diga lá.

Cadu Elmadjian says :
isso é um problema de ética profissional, portanto é um problema generalizado

Cadu Elmadjian says :
está em todas as instâncias

Cadu Elmadjian says :
nossa, vc ta exaltada mesmo

Diana says :
tou puta, amor. puta.

Diana says :
vc leu o que eu escrevi? nem tou tão exaltada assim no q escrevi.

Cadu Elmadjian says :
o problema é q pra vc ter um resultado capaz de alterar um cenário problematico é preciso q vc mexa com um certo volume de poder

Diana says :
sim, eu sei... esse é o lance.

Cadu Elmadjian says :
entidades civis sao formiguinhas

Diana says :
Ms, fala sério comigo: vc acredita que alguém seja capaz, no Brasil, de juntar boa-vontade, eficiência, lucidez e poder???

Diana says :
o PT deu esse monte de merda que merece fuzilamento sumário.

Cadu Elmadjian says :
pras entidades civis terem algum efeito, elas teriam q se organizar, existir milhoes delas fazendo um trabalho isolado, mas eficaz, soh q isso ta longe de acontecer.

Diana says :
é, tá longe de acontecer.

Cadu Elmadjian says :
cada uma qr segurar sua bandeira, ter uma identidade, nao existe um proposito maior... ta havendo uma dissociação de sentido

Diana says :
mesmo assim, é o caminho mais concreto que eu vejo pela frente...

Cadu Elmadjian says :
ainda to mais com o louco do celso furtado, ha pouco falecido

Cadu Elmadjian says :
o negocio é credito, e fingir q todo mundo q ta em volta pirou

Diana says :
hahaha, isso aí.

Diana says :
olha só a minha utopia: imagina que o ALFA de fato se torne um modelo facilmente multiplicável, como é o nosso sonho. Imagina que 10 faculdades em SP resolvem multiplicar essa iniciativa. Bicho, o negócio pega fogo.

Diana says :
eu sei que essa minha última análise, de entidades da sociedade civil, é muito falha, eu admito que não consigo analisar direito.

Cadu Elmadjian says :
nao, mas o problema é justamente esse

Cadu Elmadjian says :
vc cria um simbolo,o uma luta, uma bandeira, com um proposito isolado

Cadu Elmadjian says :
mesmo q tudo isso cresça, vai haver uma centralização

Diana says :
não, o objetivo é pulverizar... é só uma orientação a ser seguida...

Cadu Elmadjian says :
e com isso vai surgir a burocracia, e com a burocracia vai surgir a ineficiencia e a falta de ética

Diana says :
não quero filhotes do alfa, quero pessoas que digam "po, da pra fazer parecido".

Diana says :
irmãos do alfa.

Cadu Elmadjian says :
cada um começa a se diferenciar, tipo... surge um grupo q qr alfabetizar e formar fabricadores de geladeira... outros q qrem ensinar soh as letras p, h, r e j

Cadu Elmadjian says :
entende?

Cadu Elmadjian says :
e o proposito se perde...

Diana says :
nosso objetivo, além de alfabetizar esse povo que estuda com a gente, é daqui a talvez um ano ou dois, publicar uma brochura assim: "Tentamos fazer deste jeito e deu certo. Quem mais topa? Boa sorte e vão com Deus".

Cadu Elmadjian says :
e aí se vc me pergunta o q eu acho q deve haver pra ter uma solução nacional, entao

Diana says :
hm, diga

Cadu Elmadjian says :
assim, só sou um menininho observador do mundo, nao tenho embasamento teorico pra achar nada,

Cadu Elmadjian says :
mas eu penso q nao deve existir nação,

Cadu Elmadjian says :
o q deve haver sao comunidades isoladas

Cadu Elmadjian says :
nao eh um negocio hippie,

Cadu Elmadjian says :
pode ser algo compativel com o capitalismo, mas em q as regras se ajeitem por elas mesmas em grupos em q os grandes principios q estao inerentes à coletividade, como cidadania ou democracia, por exemplo, sejam verdadeiramente praticaveis, criveis

Cadu Elmadjian says :
e isso nao eh anarquismo porra-loquismo,

Cadu Elmadjian says :
tem uma logica, q é uma logica de sociedade-celular, sabe

Diana says :
sei. É, porque democracia e cidadania são mesmo totalmente impraticáveis, são ficção!!!

Cadu Elmadjian says :
pq um dos problemas da nossa sociedade é q ela fabricada em cima de um moralismo exacerbado

Diana says :
é, revolução francesa e principalmente independência dos EUA...

Cadu Elmadjian says :
a gente tem uma formação pra ser destruida depois, qdo ficarmos adultos, cobramos regras q nao gostariamos de respeitar, mas tudo isso para ter uma integridade física e social de milhoes de pessoas

Diana says :
moralismo total, aqueles WASP que deixaram uma herança nojenta pra hoje, apesar de terem, talvez, ideais nobres naquela época

Cadu Elmadjian says :
é uma loucura, nao funciona, todo mundo é infeliz com isso, mas o medo de mudar é muito maior, pq todas as experiencias anteriores foram frustrantes ou aterradoras

Diana says :
é!

Cadu Elmadjian says :
nao é impraticavel, nao... da onde vc tirou isso? é impraticavel na forma como a gente conhece hj e com um volume gigantesco de eleitores

Diana says :
sim, foi o que eu quis dizer!!!!!! Do jeito que temos democracia, é tudo menos democracia

Diana says :
entendeu? Dizer que temos uma democracia, que o governo é representativo, hoje, do jeito que funciona, é ilusão, é ficção!

Cadu Elmadjian says :
sabe, nao sei pq o bobbio é tao elevado, tao cultuado, pq sobre democracia ele fala exatamente isso, é o óbvio... parece q a grande virtude dos pensadores de hoje, ja q eles nao discutem mais nada entre si, é saberem discutir questoes relevantes consigo mesmo e depois tentar fazer sucesso no mercado editorial

Cadu Elmadjian says :
e o q eu to falando, di, nao tem nada a ver com regressao tecnologica, com reestruturação de processo, revoluções lexicais (tipo criar terminologias para
designar algo necessariamente novo)... ninguem vai morar no mato...

Diana says :
eu entendi até aí, bobo

Cadu Elmadjian says :
olha, o dia em q a liberdade de informação atingir um grau umpouquinho maior q hj e a internet realmente se mostrar um instrumento mais democratico...

Cadu Elmadjian says :
sabe, eu nao me conformo de ver na tv sem-terra reclamando da dificuldade do credito no brasil

Cadu Elmadjian says :
isso é um problema de postura, de posição

Cadu Elmadjian says :
ninguem vai te dar dinheiro pra vc comprar terreno mesmo, é óbvio

Cadu Elmadjian says :
esses caras tao no sec. XIX

Cadu Elmadjian says :
é tudo uma questao de troca

Cadu Elmadjian says :
pois é, é um negocio com q a gente nao se conforma

Cadu Elmadjian says :
vc nao qr entregar meu trabalho do flosi?

Diana says :
quero, claro.

Cadu Elmadjian says :
entao, eu tava falando...

Cadu Elmadjian says :
falando de troca, neh

Diana says :
sim, continua

Cadu Elmadjian says :
no fundo, todas essas questoes economicas, se vc analisar fisiologicamente, elas têm relação com a troca

Diana says :
certo, é o princípio da coisa.

Cadu Elmadjian says :
é uma mecania indissipavel

Cadu Elmadjian says :
o dinheiro é so um substituto abstrato

Diana says :
sim.

Cadu Elmadjian says :
assim, qqr transação sempre vai ser uma troca

Cadu Elmadjian says :
o importante, é saber o q tem valor hj

Diana says :
hum

Cadu Elmadjian says :
entao, não se mede valor apenas pelo volume de dinheiro disponivel, em caixa,

Cadu Elmadjian says :
por balanços,

Cadu Elmadjian says :
mas sobretudo por confiança

Diana says :
explica confiança

Cadu Elmadjian says :
ninguem acredita q existirá algum retorno se o cara receber uma graninha pra começar a plantar num lugar de risco, sem os cuidados profissionais adequados

Cadu Elmadjian says :
a confiança é o mediador de tudo

Cadu Elmadjian says :
e tudo é tudo mesmo... vc pode trocar poder ou influencia por dinheiro, mas sempre vai depender da confiança q eu tenho na sua moeda, pq nao tenho como avaliar se o seu caixa tem fundo mesmo

Cadu Elmadjian says :
pq, nao sei se vc parou pra pensar, mas ninguem troca 6 por meia duzia, qr dizer, ninguem vai trocar dinheiro por dinheiro

Diana says :
entendi

Cadu Elmadjian says :
nesse caso, vc vai ter q mostrar pq devem confiar em vc, portanto, vc vai ter q provar isso

Cadu Elmadjian says :
e aí tem varias estratégias... desde amizade, passado empresarial até conversa pra boi dormir

Diana says :
isso vc tá falando do ponto de vista dos "postulantes ao crédito"? eles vão ter q mostrar q merecem confiança, q são "investimentos confiáveis"?

Cadu Elmadjian says :
o meu padrinho, o lincoln, é um cara q tem otimas relações com bancos

Diana says :
hm

Cadu Elmadjian says :
sim,

Cadu Elmadjian says :
mas é pq eles tao numa situação de desvantagem

Cadu Elmadjian says :
mas o banco sempre vai pensar assim: "ah, um dia, em q ele for o presidente do pao de açucar, ele vai ser meu cliente fiel"

Cadu Elmadjian says :
acho dificil a gente sair da fase do escambo

Cadu Elmadjian says :
entao, no fundo, é uma coisa de favor

Diana says :
claro.

Cadu Elmadjian says :
a gente transforma o dinheiro, ta fetichizada nele, mas é só uma representação simbólica pra favor

Diana says :
não adianta usar argumentos altruistas em um espaço com lógica de mercado, vc precisa pensar em "lucro", no sentido mais abrangente, vc precisa pesar os benefícios dos dois lados da troca.

Diana says :
sempre.

Cadu Elmadjian says :
isso, exatamente,

Cadu Elmadjian says :
por isso q eu acho q esse negocio de credito dos sem-terra é uma ilusao

Cadu Elmadjian says :
pq eles tratam banqueiros como se os caras acreditassem na revolução

Cadu Elmadjian says :
eu preciso entender melhor dessa relação de custos aí com terra, isso ainda nao sei direito

Cadu Elmadjian says :
nao eh um negocio q funciona muito bem...

Diana says :
entendi, é verdade o lance dos sem-terra

Cadu Elmadjian says :
eu nao sei como resolver isso

Cadu Elmadjian says :
uma saída seria um investimento de risco, camarada,

Cadu Elmadjian says :
meio oweniano

Cadu Elmadjian says :
fazer cooperativas pra produtos elementares, tipo leite, queijo, é uma coisa q costuma dar certo

Cadu Elmadjian says :
pq se vc nao consegue vender, todo mundo se abastece daquilo e corta os gastos com alimentação

Cadu Elmadjian says :
outra coisa é construir meio q comunidades com regras economicas um pouco diferentes, q trabalhem com a logica do vale, sabe... "eu trabalhei tanto na cooperativa, tenho direito a comprar isso, isso"

Cadu Elmadjian says :
vc nao precisa acabar com o capitalismo, pq sempre existem excedentes previsiveis ou nao... o problema mesmo do capitalismo ta naqueles psicoticos q nao se contentam em ganhar x e partem pro y, aí começam as políticas estupradoras do bill gates

Diana says :
sim.

Cadu Elmadjian says :
eu sei q é meio logica de grego idiota dizer isso, mas...

Diana says :
mas?

Cadu Elmadjian says :
na verdade, se nada disso ainda não acontece, é porque ainda ta faltando consciencia política, ta faltando uma mobilização social, pelo menos uma consciencia de conjuntura

Cadu Elmadjian says :
entao, a logica idiota é: se nao aconteceu é pq nao tem como

Cadu Elmadjian says :
mas é idiota, eu sei

Diana says :
tem um trecho da pedagogia do oprimido, que eu não li direito...

Cadu Elmadjian says :
ah, ta vendo? é tudo uma questao de educação

Diana says :
MAS É O QUE EU DIGO!!!!!!!!!!!!!

Diana says :
hahaha

Diana says :
é, meu amor, o lance da consciência é a minha parte

Cadu Elmadjian says :
e, olha o q eu falo..

Cadu Elmadjian says :
putz

Cadu Elmadjian says :
sim, mas

Cadu Elmadjian says :
vc ja parou pra pensar?

Cadu Elmadjian says :
pq q eu tenho essas encanações, qdo meus amigos ou colegas de colegio salesiano sao josé vivem muito bem nas baladinhas de sabado à noite?

Cadu Elmadjian says :
onde realmente está o problema?

Cadu Elmadjian says :
acho q a maneira como a gente aceita a nossa vida em sociedade hoje é muito alienizante, neh

Diana says :
então, pedagogia do oprimido: a única frase que eu realmente lembro (da idéia) é algo de um trecho em que ele pondera sobre determinismo e livre-ação, tentando achar um meio termo. Sobre se a ação histórica é sempre condicionada, ou sobre se é possível interferir na história

Diana says :
e o PF, na minha opinião, tem uma espécie de um existencialismo não-radical, sensato

Cadu Elmadjian says :
entao, mas nao existe preocupação em interferir na historia, história é só uma materia de colegio!!!! haha

Diana says :
ele chega a umas conclusões deliciosas (ainda mais dentro dos textos dele: ele escreve mal, mas é tão gostoso de ler...)

Cadu Elmadjian says :
dificil de acreditar q ele escreve mal

Diana says :
conclusões do tipo: vc é uma pessoa inacabada. É condicionado, mas ainda precisa se completar. Vai lá, se completa, seja sujeito.

Diana says :
(ele é muito repetitivo... e coisas assim)

Cadu Elmadjian says :
desculpa, nao qria ser tao acido

Diana says :
hahahaha eu tou com sono, não tinha pego a piada

Cadu Elmadjian says :
pois eh

Cadu Elmadjian says :
mas um dos problemas dos pensadores mais antigos, é q toda essa galera inteligente ficou condicionada por uma aura marxista

Cadu Elmadjian says :
entao parece q tudo vai servir a uma determinada dialetica muito, mas MUITO maniqueísta, q recebe outro nome pra nao dizerem q no fundo é maniqueísta

Cadu Elmadjian says :
muito artificial

Diana says :
e o lance sobre a história era algo do tipo: olhar pra história, olhar pra trás, é desanimador porque nunca, nunca aconteceu nada parecido com uma revolução genuína, uma mudança genuína em prol da humanidade (e não em prol de interesses egoístas de grupos)

Diana says :
mas não é porque nunca aconteceu que não pode acontecer.

Diana says :
droga, eu tava tentando não ser simplista.

Diana says :
meu pedagogia do oprimido tá emprestado pro Daniel, droga, eu preciso achar esse trecho. é bonito o jeito que ele chega a essa conclusão, Cadu.

Diana says :
sabe que o paulo freire é uma figura fundamental entre os academicos

Diana says :
porque, quando você o lê, vc ao mesmo tempo respeita muito suas idéias, como um intelectual, mas ele também faz bem pro coração.

Cadu Elmadjian says :
porra, marx é um cara genial, sem duvida, mas ele descreve um mundo cheio de relações artificiais... é como se ele pegasse o encanador no banheiro com a mae la dentro e dissesse categoricamente q ambos estao tendo um caso.. sabe, nao eh verdade, pode ate ser, pode ser uma das verdades possiveis, mas as possibilidades sao muito maiores

Diana says :
aí veio o sartre pra acabar com esse determinismo desgraçado, e avacalhou pro outro lado. porra.

Diana says :
vai lá, trouxa, se joga, você é capaz de tudo e todos os erros da humanidade são culpa tua

Diana says :
(desculpa, avacalhei também)

Cadu Elmadjian says :
isso q me irrita, porra... os pessoal se poe limitações de um jeito tao estupido... vc ve um cara genial como gramsci se maltratando pra nao deixar de ser marxista... por isso q eu admiro um cara q nem o florestan, q mesmo estando longe de ser o academico mais criativo e brilhante de todos os tempos, ele conseguiu admitir a gente pode entender algumas coisas de um jeito diferente sem desconsiderar a bagagem q veio no aviao

Cadu Elmadjian says :
é, o sartre é um cara legal

Diana says :
eu gosto dele.

Diana says :
pra caramba

Cadu Elmadjian says :
bom, vou te passar meu trabalho do flosi

Cadu Elmadjian says :
to pra ler ainda um cara sincero

Cadu Elmadjian says :
é dificil

Diana says :
ah, o paulo freire chega perto.

Diana says :
o saramago acho q se esgota, mas é razoável.

Diana says :
amor, eu acho q vc precisa ler o saramago falando sobre a democracia.

Diana says :
algumas entrevistas dele... e talvez os ensaios sobre a cegueira e sobre a lucidez.

Diana says :
ou talvez a caverna.

Cadu Elmadjian says :
nao, sincero no sentido de q ele ta forçando, ta empurrando um universo necessariamente incompleto. nao uma mentira, pq ninguem acredita nelas por muito tempo, mas uma coisa q ninguem vai saber se é realmente verdade por inteiro, e o único cara q poderia dizer isso foi o cara q escreveu

Cadu Elmadjian says :
depois vc me empresta

Cadu Elmadjian says :
qm sabe nas ferias

Diana says :
sim, tenho a lucidez. mas acho q é melhor começar pela cegueira.

Diana says :
eu, amanha, pretendo pegar o celso furtado.

Diana says :
e o trabalho do flosi, vem ou nao?

Cadu Elmadjian says :
entao, tava procurando o arquivo e depois dei uma lida nele, mudei algumas coisas...

Cadu Elmadjian says :
ah, nao ta muito legal, nao, nao ta contando uma historia

Cadu Elmadjian says :
mas tdo bem

Diana says :
manda por email? p favor?

Cadu Elmadjian says :
estou mandando, perae

Cadu Elmadjian says :
pronto

Diana says :
recebi.

Diana says :
"Frosi", craro

Cadu Elmadjian says :
ah, é q o L fica perto do R no teclado, desculpa

Cadu Elmadjian says :
é q, vc nao entendeu, meu teclado é russo

Diana says :
sei.

Diana says :
na verdade isso se chama "rotacismo", é uma tendência da língua.

Cadu Elmadjian says :
ah, acho q vou embora!

Diana says :
"eclesia", por exemplo, virou "igreja" (enquanto no espanhol ainda se chama "iglesia")

Cadu Elmadjian says :
manheeee

Diana says :
por isso é que falar "fror" não é tão errado assim, é um caminho natural.

Diana says :
adoro você.

Cadu Elmadjian says :
socorro!!!

Cadu Elmadjian says :
haha

Quatro coisas que eu queria publicar, número 2

Publicado pelo Estadão, e transcrito na edição de 15 de novembro do caderno Divirta-se, no CorreioWeb, versão digital do Correio Braziliense.

MTV convence 14% da platéia a desligar a TV

Da Agência Estado

A campanha "Desligue a TV e vá ler um livro", da MTV, parece estar surtindo efeito. De acordo com dados do Ibope, 1.259.491 pessoas assistiram à vinheta entre 1º e 8 de novembro, quando entrou no ar a segunda fase da campanha. Nela, após estampar a frase na tela, a emissora realmente tira sua programação de cena e mantém o áudio de um zumbido chatinho durante 15 minutos. Cerca de 8% desse total (100.346) desligaram a TV — não mudaram de canal, e sim desligaram, segundo o Ibope. Considerando apenas o público-alvo do canal (classes A/B, entre 15 e 29 anos), essa porcentagem aumenta para 14%, ou seja, das 289.819 pessoas neste perfil, 41.586 desligaram o aparelho.

"Se foram ler um livro não sei dizer, mas pegaram o espírito da coisa", disse o diretor-geral da emissora, André Mantovani. Para ele, esta é a campanha mais anti-TV que já viu. "É a menos hipócrita." O objetivo, segundo ele, é levar o jovem a ler mais e conseqüentemente melhorar a escrita, a forma de se expressar e de construir opiniões. "Só assim poderá ser crítico, ser culto."

A campanha da MTV vai ao ar diariamente entre 13 e 15 horas. Mantovani explica que a faixa foi escolhida por comodidade — não compromete a grade — e também pela boa audiência. É a hora em que muitos adolescentes chegam em casa, após as aulas. "Queríamos fazer uma campanha que funcionasse de fato e não fosse algo do tipo faz-de-conta."

Além das inserções na TV, a iniciativa está na internet, no site da emissora (mas aí, o incentivo é para desligar o computador, claro!), e será tema de destaque na nova edição da revista da MTV, nas bancas em dezembro. Na reportagem, oito funcionários da casa que desligam a TV para ler, dão algumas dicas - Léo Madeira é o único VJ da matéria.

Mantovani explica que não deixou de exibir os comerciais programados para esses 15 minutos de pausa. Foram acomodados em outros horários. Mas a MTV deixou de faturar. Em 15 minutos, ele calcula que teria cerca de dois breaks, com 12 comerciais - 30 segundos, entre 13 e 15 horas, aos domingos, custam em média R$ 1.640,00. De segunda a sexta, saem por R$ 4.830,00.

"Não fazia sentido, depois do aviso, continuar a programação", justifica Mantovani.

Quando a campanha teve início, a tela ficava escura apenas por alguns segundos após a exibição da vinheta. Outro canal que saiu do ar voluntariamente foi o Nickelodeon. Durante três horas, no dia 2 de outubro, nos Estados Unidos, para incentivar a criançada a ir para a rua brincar e praticar esportes.


* A campanha no saite da MTV já deve ter saído do ar. Não a encontrei.
* Estou aderindo à campanha. Desliga agora esta máquina maldita, e vai logo ler aquele livro que está esperando na estante.

segunda-feira

E daí?

Talvez as eleições na Ucrânia tenham sido fraudadas.
Que diferença isso faz? Pergunte aos ucranianos.

("Os principais candidatos são o atual primeiro-ministro Viktor Yanukovych, que tem o apoio do presidente atual e deverá preferir relações mais estreitas com a Rússia, e o ex-premier Viktor Yushchenko, um reformista interessado em aproximar a Ucrânia da Europa ocidental", segundo informa outra reportagem do estadao.com.br.

"Com 99% dos votos contados, o primeiro-ministro Viktor Yanukovych vai derrotando o líder da oposição Viktor Yushchenko por 49,42% a 46,69%. Como pesquisas de boca-de-urna indicavam que Yushchenko ganharia por larga margem, ele acusa as autoridades ucranianas de fraude. Cerca de 10 mil protestam nesta segunda-feira na principal praça de Kiev contra o governo.")

Quanta coisa acontece longe do Brasil.

Quatro coisas que eu queria publicar, número 1

Lembra da última vez que o Bin Laden falou? Ninguém ouviu lá nos EEUU. Mas que ele falou bem, ah, isso foi. Sem apologia ao terrorismo. E serve para se continuar lamentando, por Bin Laden tanto quanto por Bush Júnior.
Publicado na Folha de S. Paulo de 30 de outubro, caderno Mundo:

Leia trechos da declaração do terrorista saudita

(...)
PAI E FILHO
"Nós não achamos difícil lidar com Bush e sua administração porque é similar a regimes em nossos países, onde metade é regida por militares e a outra metade é comandada por filhos de reis e presidentes. Temos longa experiência com eles."

INVEJA DOS BUSHES
"Ele [Bush pai] os inveja [os regimes ditatoriais do Oriente Médio] por ficarem no poder por décadas, desviando a riqueza do país. Assim, ele transferiu tirania e opressão para seu filho e eles chamam isso de 'lei de segurança nacional' sob o pretexto de lutar contra o terrorismo. Bush pai fez bem ao instalar seus filhos como governadores de estados e não esqueceu de transferir sua experiência para a Flórida para beneficiá-los em momentos de crise."

RAZÃO DO 11/9
"Apesar de estarmos no quarto ano depois dos incidentes do 11 de Setembro, Bush está enganando vocês ao esconder a verdadeira razão. Por isso, tudo o que vocês precisam é repetir o que aconteceu. Falarei com vocês sobre a razão por trás desses ataques e lhes direi sobre o momento em que aquela decisão foi tomada.
Alá sabe que não nos tinha ocorrido atacar as torres, mas, depois que a nossa paciência se esgotou e vimos a injustiça e a inflexibilidade da aliança israelo-americana em relação ao nosso povo na Palestina e no Líbano, isso veio à nossa cabeça. Os incidentes que me afetaram diretamente voltam até 1982, e o que se seguiu quando a América deu a Israel a permissão para invadir o Líbano com a ajuda da 6ª Frota americana.
Nesse período difícil, muitos pensamentos me vieram. Trouxeram um desejo forte de rejeitar a injustiça e criaram uma forte determinação de punir aqueles que cometeram a injustiça. Enquanto estava olhando para aquelas torres destruídas no Líbano, veio à minha cabeça punir aquelas pessoas injustas da mesma maneira, destruir torres na América para fazê-los sentir o que nós tínhamos sentido e dissuadi-los de matar nossas crianças e mulheres.

(...)
SEGURANÇA
"A segurança de vocês não está nas mãos de Kerry ou Bush ou Al Qaeda. A segurança de vocês está em suas próprias mãos, e todo Estado que não mexer com a nossa segurança terá segurança."


* Já viu o saite Sorry Everybody? Divirta-se. E acredite que talvez o mundo não esteja perdido.

sexta-feira

Teatrais (comédias particulares)

Pôste vetado pela censura.
(Tava mesmo de mau-gosto.)

quarta-feira

Jabberwocky

Diz aí:

Até que enfim, hein? Já tava na hora de aparecer alguma coisa nova nesta joça.
Nem lembro como vim parar aqui. Onde é a saída?
Mas "— Uaaaaaau", diz o deslumbramento.
Tua página gera puro tédio cibernético.
Jornalismo é pura putaria?
Educação é pura contradição?
Cartões de natal são mensagens puras?
Justiça social é puro descarrego?
É, câncer. Ah, não: o signo.
Que Lênin foi ditador, que Arafat era europeu, que Bush é radical e que Sharon é nazista. Sabia?
Eu votei na Marta Suplicy, mas gosto mesmo é do Supla e da família Matarazzo.
Não me faça perguntas difíceis.
Esquece tudo isso, o que importava era a derrota dos EUA no Iraque e um ombro pra se pedir cafuné.
Que droga de enquete despropositada é esta?
Eu amo você. E estava só esperando ver uma enquete no teu blogue pra poder abrir meu coração.

(E, como diz Hilda Hist, Informe-se.)

sexta-feira

Bu.

(admita, eu assustei você.)